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História

A NECESSIDADE DA OBRA

O mar junto à costa do Furadouro era fértil em peixe e acessível a algumas práticas de pesca. Ali se fixaram famílias que vieram a constituir um aglomerado de gente de características e hábitos de vida muito próprios, adquiridos ao longo de muitos anos, vivendo do trabalho do mar, não só nas lides da pesa, como na preparação do material utilizado, na conservação da sardinha e na venda do próprio pescado.

Briosos do seu trabalho, unidos na sua classe, eles não procuravam outras ocupações, e os seus casamentos muito raramente se faziam, se é que se chegavam a fazer, entre pessoas estranhas ao meio. O mar dava para sustentar o orgulho da sua estirpe e, dentro das suas relativas ambições, tudo corria mais ou menos bem. O mar que lhes dera tudo, aquela vida de trabalho duro, mas livre, dentro dum campo tão aberto, que só o horizonte poderia limitar a visão dos seus olhos, também lhes tirou todas as possibilidades de trabalho dentro das condições requeridas pela maioria da indústria, com o controle do tempo e paredes a barrar-lhes as distâncias.

A impossibilidade de se manter a indústria de pesca naquela costa, devido ao peixe rarear e a inadaptação dos pescadores a outras formas de trabalho, foram os motivos que levaram o Rotary Club de Ovar a pensar nesta obra.

Um inquérito levado a efeito em 1969, demonstrou que:
- existiam 50 homens sem qualquer ocupação;
- 127 crianças dos 6 aos 13 anos sem possibilidades de acesso à instrução;
- o rendimento per capita era entre 2$80 e 4$00.

A OBRA - HISTORIAL

Os primeiros passos para o arranque desta obra, que se seguiu à chamada sopa dos pobres, foram dados por um grupo de pessoas da nova paróquia de S. Pedro de Ovar, à cabeça do qual estava o Pároco, Padre António Fernando Lopes Ferreira. O Rotary Club de Ovar ligou-se ao mesmo com alguns dos seus elementos, nomeadamente Mário Mendes Alçada e João Peixinho, que vieram a tornar-se a alma do empreendimento.

A 15 de dezembro de 1969 começou a funcionar o Centro Infantil do Furadouro, do Rotary Club de Ovar, com 57 crianças, no edifício do Centro Vidreiro, da antiga fábrica A Varina, cedido pelo rotário Júlio Mateiro, devidamente orientado pela Irmã Ana Maria e bem apoiado pelo Pároco e pelos seus dois principais obreiros, os rotários João Peixinho Carvalho Simão e Mário Mendes Alçada.

A 25 de janeiro de 1972, por escritura assinada por 17 cidadãos, foi criado por iniciativa do Rotary Club de Ovar, o Centro de Promoção Social do Furadouro, instituição de assistência e educação de utilidade local com sede na praia do Furadouro.

Em 1979, com a cedência de um terreno pela Câmara Municipal de Ovar e com o apoio financeiro da segurança social, foi possível construir-se um novo edifício, concebido de forma a proporcionar as melhores condições pedagógicas e sociais às crianças que o frequentavam.

A 08 de abril de 1983 esteve no Centro o Presidente do Rotary International, Hiroji Mukasa.

O Centro de Promoção Social do Furadouro presta a assistência através das suas valências de Creche, Pré-Escolar, CATL, Serviço de Apoio Domiciliário e Centro Comunitário.

Desde a sua criação a instituição tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento da Praia do Furadouro e da sua população. Para isso, foi necessário coadjuvar os serviços públicos competentes e outras instituições num espírito de interajuda, de solidariedade e de colaboração, em particular, com as famílias na sua promoção, educação e ocupação dos tempos livres dos seus filhos/educandos.

Sem nunca esquecer os objetivos para o qual foi criado, o Centro de Promoção Social do Furadouro abriu as suas portas a toda a comunidade, procurando sempre captar todos os meios e recursos possíveis, visando trabalhar cada vez mais e melhor em prol e benefício da mesma.

Ao longo do tempo, os Órgãos Sociais da Instituição, sempre foram constituídos por uma maioria de elementos do Rotary Club de Ovar, que a continuam a acarinhar e apoiar.